Posted by: tsopr | September 9, 2008

Jean Narciso, Poeta Brasileiro

Jean Narciso Bispo Moura nasceu na cidade de São Félix, no estado da Bahia, no dia trinta e um de Outubro de mil novecentos e oitenta, radicado em São Paulo, formou-se em pedagogia e filosofia e especializou-se em educação. Reside na grande São Paulo, no município de Itaquaquecetuba. O autor tem dois livros publicados ” A lupa e sensibilidade” (2002) e “Setenta e cinco osso para um esqueleto poético” (2005). É casado e professor de Filosofia da rede estadual paulista.

 

www.anedotabulgara.blogspot.com

www.poetajean@bol.com.br

www.poetajean@itelefonica.com.br

 

Escatologia poética

 

A esperança alfabetizada lê o futuro obituário da raça humana

Sentada à mesa vê a biblioteca enfileirada fotografias mísseis

Tropas roubam os glóbulos vermelhos e brancos

Arrancam com uma metralhada a vida

Entrega a terra seres que agora são coisas que amavam serem seres

A esperança se deplora e não coaduna com nada disso.

A suástica mudou de continente quer empilhar homens mulheres crianças

Quer ver o sol cegar-se com o ácido do sangue

E virar as costas para os dias fúnebres

A custa da pá solitária do vento.

As cruzes serão poucas para arcar com um epitáfio do custo da queda humana.

As cruzes se esvaíram um espírito criminoso queimou sozinho.

As árvores do pulmão das cidades das províncias e do mundo.

Sequer teremos água para lavar a coisa que habitava a alma,

Teremos apenas um meio fim

O Princípio aguarda desolado à reação do verbo.

 

 

Comunicação hermética

 

Ouço a poesia em um idioma que jamais conheci

A beleza de sua voz não conhece o relógio

Sou analfabeto quando leio a sua escritura

Construo com palavras pontes para me aproximar do teu aconchego

Como hei de fazer para compreendê-la deusa do Olimpo?

Que fala em uma língua que desconheço.

 

 

Anotação funesta

 

O relógio anotou mais um suicídio

O tempo de amar se enforcou

Para os dias que se arrasta como um bicho

Cabe entregar flores na lápide do destino

Encarar como os dias futuros como um touro.

 

Tatuagem

 

A esperança não vê dias esverdeados pela sua tintura.

O futuro terá várias cruzes

E será camareiro da última morada dos homens.

Tatuo em protesto a minha alma com incolor

Sonho com aqueles que esperam

A reinvenção do mundo.

 

 

Preguiça

 

As flores nascidas agora

indicam o florescer belo da primavera.

E as folhas das árvores fazem no chão

um tapete sem forma geométrica .

 

É neste tapete que se assenta à tarde

um homem com a estranha preguiça de estar

isoladamente

só.

 

 

Custódia

 

Não tenho bens,

minhas vestes são estes trapos

que ofendem os teus olhos e nariz.

Outrora, o mais fino linho

cobria de pompa o meu corpo.

Hoje, já não tenho casa

e tampouco uma gota de esperança

para que eu possa ter um bom olfato

e assim sentir o perfume discreto da vida.

E agora nesta lastimável condição de semi-vivo

recebo a custódia

de almas samaritanas

que quitam o meu parcelado e diário boleto

enviado pelo estômago.

E são as almas samaritanas

que me livram do iminente risco de ter a minha lucidez confiscada.

  

 

A pedra possível

 

A pedra inala

Kafávis

Paz

Eles no entorno da pedra

Sugam com faro

A flor e o cardápio do urubu.

 

Homens inalam a pedra

A pedra inala os homens

Pedra é a palavra

Que alumia o corpo cru

Sem a pedra

Não há Transcendência

Noite é noite

Dia é dia

Mas a pedra se aventa

Guincha a sua metáfora.

 

Homens sem pedra

É pedra sem homens

Pedra somente pedra

Homens somente homens

Mas a adição de ambos

Contraria o corpo cru

Ela nós dá a possível transcendência.

 

—-

 

 

Jean Narciso Bispo Moura was born October 30, 1980 in the city of Is Félix, Bahia, He studied pedagogia and philosophy in Sao Paulo and specialized in Education. He lives in São Paulo, the city of Itaquaquecetuba. The author has two published books “A lupa e sensibilidad” (2002) and “Setenta e cinco para um esqueleto poetico” (2005). Married and a professor of Philosophy at the São Paulo State University.

 

Poetical Escatologia

 

The alphabetical hope reads the future obituário of the human race

Seated to the table it sees the library lined up photographs missiles

Troops steal red and white globules

They pull out with metralhada a life

She delivers to the land beings that now are things that they loved being beings

The hope if deplores and not coaduna with nothing of this.

The suástica moved of continent wants to pile up men, women, children

Wants to see the sun to blind itself with the acid one of the blood

And to turn the coasts for the days fúnebres

The cost of the solitary shovel of the wind.

The crosses will be few to arcar with a epitáfio of the cost of the fall human being.

The crosses if esvaíram a criminal spirit burnt alone.

The trees of the lung of the cities of the provinces and the world.

At least we will have water to wash the thing that inhabited the soul,

We will have only one half end

The Principle waits desolate to the reaction of the verb.

 

 

Communication hermetica

 

I hear poetry in a language that never I knew

The beauty of its voice does not know the clock

I am illiterate when I read its writing

I construct bridges with words for me to approach yours aconchego

How can I understand the goddess of Olympus?

That it speaks in a language that I am unaware of.

 

 

Funesta notation

 

The clock wrote down suicidal

The time to love if hung

For days that if drag as an animal

Fits to deliver flowers in the tablet of the destination

To face the future as a bull.

 

 

Tattooing

 

The hope does not see days esverdeados for its dye.

The future will have some crosses

And will be camareiro of the last dwelling men.

Tattooing protests my soul with colorless

Dream with that they wait

The reinvention of the world.

 

 

Laziness

 

The flowers born now

they indicate beautiful blossoming of the spring

and the leaves of the trees make the soil

a carpet without geometric form.

 

And it is in this carpet that

a man with the stranger seats to the afternoon laziness

separated

only.

 

 

Safekeeping

 

I have nothing,

my vestments are these rags

that they offend your eyes and nose.

Long ago, I finished more hemp

it covered the pomp of my body.

Today, I have no house, neither a drop of hope

to have a good olfato

and thus to feel the perfume discrete of life.

And now in this lastimável condition of being half-alive

I receive the safekeeping

of the samaritan’s souls

that they quit my title

and daily billet

envoy for the stomach.

And the samaritan’s souls they free me

the imminent risk

to have my confiscated lucidity.

 

 

The possible rock

 

They are rocks

Kafávis

Peace

They in entorno of the rock

They suck with faro

The flower and the cardápio of urubu.

Men are the rock

The rock is the men

Rock is the word

That lights the raw body

Without the rock

It does not have

Transcendência

Night is night

Day is day

But the aventa rock

It tows its metaphor.

Men without rock

It is rock without men

Rock only rock

Men only men

But the addition of both

Opposes the raw body

Of the possibility of our transcendência.

 

 

 

 

 

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